Nº06
PERTENCENDO
Pertencimento é algo subjetivo,
um sentimento que alcançamos quando nos sentimos acolhidos. Quando me sinto
aceita me sinto pertencendo a algum lugar. Ser do jeito que sou, ser quem sou e
ser aceita, respeitada e amada me faz sentir o ‘pertencimento’.
Gostaria de poder sentir isso
sempre, porém acredito que o desconforto me faça ser criativa nas formas que
encontro para me aceitar e estar no mundo. Sei que o sentimento de
pertencimento é pré-requisito para estarmos bem no mundo, para sentirmos que
somos parte e que não estamos sozinhos. Mas este sentimento pode ser alcançado
em diversos níveis, e um deles é o mais amplo de todos, ligado à natureza. O
mais fechado de todos ou o mais próximo seria ser aceito por aqueles que
amamos, aceitos como somos, e quando isso não é possível, a ferida abre um rombo
e fica mais difícil estar no mundo.
A sociedade pode dar esta oferta
de multiplicidades de seres, para que encontremos a nossa família, a nossa
equipe, grupo, o nosso ambiente que sentiremos este pertencimento e estaremos
bem em estarmos no mundo. E poderemos nos expressar melhor, atuar melhor, fazer
alguma diferença positiva na vida de outros, que também se sentirão acolhidos,
e passar isso adiante.
Os museus, espaços públicos
voltados para a arte, a ciência, o conhecimento, pode e deve abrir este espaço
na formação de grupos que se encontram e se sentem pertencendo a alguma coisa.
Somos seres coletivos, dependentes de nossos semelhantes afetivamente e
fisicamente, desde o momento em que chegamos no mundo. Os espaços que abrem espaço
para voz, expressões, são espaços que conectam semelhantes, que ecoam individualidades
e coletividades que pescam pertencimento, e isso faz diferença no mundo.
Acredito no papel das
instituições, para que este sentido seja levado ao máximo de pessoas possível
naquela vizinhança, naquele bairro, cidade, país e mundo, onde quer que o alcance
consiga chegar. Acredito, que quanto mais vozes forem expostas, ouvidas,
compartilhadas e vazadas, pensamentos, corações e pessoas inteiras serão
impactadas e poderão sentir o pertencimento, nem que seja por aquele instante.
O ‘efeito borboleta’ fará o papel nos seus inconscientes e o impacto será
reverberado por aquela potência que foi atingida.
Os museus e instituições podem,
devem, e a meu ver, funcionam como alto-falantes, que dão vazão a vozes,
sentimentos, e consequentemente ao sentimento de pertencimento, salvando vidas
com as expressões mentais, físicas, artísticas, culturais e científicas. O conhecimento
salva, e são muitas as barreiras impostas que precisam ser quebradas,
atravessadas, de maneira palatável. Cada um possui uma percepção de mundo
diferente, então o conhecimento deve ser passado de forma a quebrar barreiras
para cada um de nós, indivíduos coletivos.
São infinitos assuntos, inquietações,
questões a serem passadas para que haja a possibilidade do senso de empatia,
que gera o senso de pertencimento a alguém. São bilhões de pessoas no mundo,
infinitas expressões e pontos de vistas. Estes espaços nunca serão excessivos,
sempre há espaço para mais, para reflexões, expressões, representações e sempre
haverá necessidade de espaços metais e físicos serem ocupados pelo diferente e
por nós.
Estas fusões serão necessárias
para as transformações que precisamos viver e para ações que precisam ocorrer,
que serão fruto dos nossos ouvidos, entendimentos de corações. Só assim salvaremos
o planeta dos impactos nocivos. Só assim sentiremos que pertencemos e somos responsáveis.
Pertencer também é se responsabilizar.
Portanto, fazer com que as
subjetividades sejam aceitas, respeitando o desconforto existente e a natureza
das multiplicidades é construir espaço de conhecimento para expressar as
diferenças entre todos nós. Ter um espaço para compartilhar impactos
subconscientes mostra o poder das instituições, dando voz aos sentimentos,
abrindo a chance de se romper barreiras, de forma palatável às vivências
coletivas ou individuais. Criar empatia às infinitas expressões e
representações humanas é o caminho para as transformações, para uma possível
responsabilidade compartilhada, que farão as mudanças necessárias ao mundo e à
humanidade.
Chris Duarte.

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